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  • Projeto Madre Teresa

Uma carta de amor e gratidão



10 anos. É... muita coisa aconteceu até aqui. A alegria já não cabe no nosso peito. Nos unimos como um povo eleito para cantar suas maravilhas e sua infinita misericórdia que recai sobre nós todos os dias e que nos trouxe aqui. Hoje, completam-se 10 anos desde aquele dia que você nos reuniu pela primeira vez. Exatamente 10 anos desde que você nos fez abraçar o que não víamos e mergulhar onde os nossos braços e pernas não conseguiriam alcançar. Éramos pouquíssimos, mas você insistiu. Logo no início, nos disse que queria de nós passos alargados, e eles não correspondiam à nossa forma de caminhar, porque eram os teus passos caminhando entre o teu povo e para ele.


Aquele dia não foi acidental. Tua eleição sobre nós não foi acidental. Aconteceu que você nos atraiu para muito perto e nos fez identificados com o seu caminho de amor e de paz. Não eram facetas temporárias... ainda havia quem achasse que era. Mas não. É eterno. O Eterno veio o novo gerar entre nós.


Hoje você nos reúne de novo, e desta vez de forma diferente. Já não somos mais os mesmos do início, nem a mesma quantidade, nem com as mesmas circunstâncias, mas você é o mesmo que continua conosco desde aquele dia.


Foi aquele dia que você nos levou àquele abrigo de idosos e nos contagiou com a certeza de que nascemos para anunciar o seu amor. Você estava escondido no rosto daquelas pessoas e nós entendíamos o significado da sua paz. Imprimiu sua face naqueles rostos e nos disse qual era o sucesso da vida contigo: estar em ti e te levar aos que não te conhecem. Entre as cestas básicas, lá estava você impresso no rosto dos pobres e na simplicidade deles. Te vemos dar-se, e nós queríamos apenas nos dar também. Quanta dignidade carregamos. Somos servos do teu Reino e você nos escolheu!


Naquele dia, você nos deu coragem e nos encheu de entusiasmo. Tudo o que queríamos era anunciar a grande alegria que havia entre nós: “A nossa vida é tua. Tu és a nossa vida. Queremos te pertencer!” E nem nós mesmos entendíamos que aquela alegria seria, hoje, a nossa vocação gravada em teu peito. Um coração unido a tantos outros numa só resposta de amor por tantos feitos em meio às nossas infidelidades.


Foi você que nos inspirou aquelas coisas tão belas e que hoje estão mais belas ainda. Fez nascer as centelhas do seu amor e nos comunicou a vida feliz. Nunca nos disse que seria fácil, mas assegurou-nos que estaria conosco porque a obra é sua.


Uma década desde que você fez aqueles quase 10 jovens do início a família que somos hoje: incapazes, pequenos, falhos, inconstantes, incompetentes, mas teus.

Naquela época, você nos dava o rosto dos jovens e a força da juventude para evangelizar. Parecia tudo uma loucura e muitos achavam que era. Onde um jovem de 14 anos estava com a cabeça quando respondeu prontamente ‘sim’? Ele tinha ideia do ‘sim’ que alcançaria o teu povo? Foi a maior loucura de amor... que loucura nós vivíamos! Você estava fazendo uma obra nova em um tempo novo de forma sobrenatural.


Escolheu para nós a pequena Teresa de Calcutá. Afinal, tinha de ser algum dos seus para interceder e para nos lembrar, dia após dia, que você mesmo estava construindo tudo aquilo. Nem na nossa imaginação mais fértil aquelas coisas aconteceriam. Para alguns, parecíamos perdidos. Mas você insistiu. Você estava conosco! Você estava mostrando ao mundo mais uma obra fruto do seu poder criador.


Corações se ajuntavam para ver desabrochar a flor nos desertos que existem sem ti. Na doação de vida, você já fazia nascer a semente da tua eleição sem que nem fizéssemos a menor ideia. O seu mistério grandioso pairava e as sementes de eternidade cresciam.

O que faríamos, senão te amar perdidamente? Você nos escolheu para correspondermos ao seu amor infinito e generoso! Onde nós estávamos, por onde caminhávamos e onde você nos realocou... caminhávamos perdidos, muitas vezes cegos, mas você, pacientemente, nos gerou em seu caminho.


A exemplo de Teresa de Calcutá, seguíamos anunciando seu nome aos mais pobres que encontrássemos. Você nos levou a tantos lugares... ali nascia uma semente: o rosto dos pobres era nosso coração e nossa oração. Era você! Estávamos ainda mais empolgados e cheios de vontade de te levar a lugares onde o teu próprio povo não te conhecia. Enquanto isso, nosso apostolado crescia e já não dava para conter tanto amor em nós.


Você nos encheu de mimos quando nos deu Teresa como baluarte porque, com ela, aprendemos o ressignificado da maior riqueza de todas: sermos pobres e abandonados em suas mãos; aprendemos os tesouros da vida com você.


Mais pessoas estavam chegando. Mais vidas que se ofertavam para que outras te encontrassem. É, Senhor, você nos deu aquela sala com apenas alguns metros quadrados, mas parecia tão grande. Lá estava teu coração. Era de lá que saíamos para fazer ações, nos reunirmos, visitar famílias, anunciar o teu nome; era lá que convivíamos, rezávamos, realizávamos adorações e proporcionávamos às pessoas momentos contigo. De lá saíram inúmeros frutos... de modo especial, víamos o teu olhar apaixonante que nos inundava a cada novo encontro.


Com pouco tempo, completamos 2 anos. Você nos pediu um seminário de vida. Éramos tão poucos, tão poucos... como aquilo tudo aconteceu? Parecia loucura! Mais jovens chegavam e mais pessoas eram alcançadas por sua graça. E o mundo continuava achando tudo aquilo uma loucura... mas, ali, você nos marcou com o selo de amor e nos assegurou sobre o chamado nas nossas vidas.


Nos inspirou um caminho de vida de oração, Eucaristia, sacramentos, formação, Nossa Senhora e os santos para que vivêssemos a intimidade contigo. Foi você que gritou ao nosso peito, nos dizendo que a santidade é real e que para ela você nos criou, lembra?

Passamos de uma pequena sala para uma garagem bem maior. Senhor, você não sabe o tamanho da nossa felicidade! Mais adorações, mais espaço para evangelizar... era tudo muito simples, mas éramos felizes porque víamos você construindo muita coisa naquele lugar e transformando muitas vidas ali. Naquele chão de cimento, era o coração do teu povo que se derramava e prostrava aos teus pés.


Enfrentamos situações difíceis, passamos por tempos de sofrimento, pois, naquela época, alguns não acreditavam no nosso trabalho e duvidavam que era tudo por sua causa. Mas, como haveríamos de desistir, se você nunca desistiu de nós? Somos vasos de argila, mortais, insignificantes, um nada, mas guardamos você como tesouro.


Com o tempo, formou ministérios e suscitou dons para que fossem colocados à serviço do teu povo. E o dia que você nos levou para além das limitações da cidade de Patos? Você construiu coisas belíssimas, Senhor, e desde sempre nos disse que chegaríamos aos confins da Terra, porque levaríamos o teu amor e a tua paz. Era tudo seu desde sempre!


É... nós sabemos, algumas pessoas já não estão mais entre nós. Alguns foram, outros ficaram, mas você continuou insistindo e nos confiando sempre mais. Agora é que não cabia na nossa imaginação tudo aquilo. Chegamos a completar mais anos de missão e evangelização. Visitamos bairros diversos, comunidades, lares, corações, muitos corações, porque você sempre nos disse que tinha sede do teu povo. Era tempo de recomeçar...


Entregávamos um sorriso ao pobre e éramos inúmeras vezes mais acolhidos. Alegres, estávamos, na verdade, descansando no teu olhar e no teu abraço que se manifestavam no rosto de cada um deles.


E você estava nos confiando ainda mais... mais retiros, mais corações, mais serviço. Chegamos a 3 anos de missão e você nos inspirou a Vigília Caritas. Naquela época, era o salão de festas de um condomínio e cerca de 100 pessoas. Uma madrugada aos teus pés, de fato. Que noite memorável! Não bastou aquele ano para você nos inspirar algo maior e fazer lotar as calçadas do novo lugar onde acontecia. Como era íntima a beleza ao ver todo aquele povo lançado aos teus pés...


Mesmo com a nossa lentidão para crer, lá estava você nos confiando mais vidas e nos fazendo instrumentos para o teu Reino. Aí, então, já era o ano que celebrávamos 5 anos de missão. Sabe, Senhor, nós nunca tivemos pretensão alguma de chegar até aqui. Sem que fizéssemos esforço, apenas fomos conduzidos por sua mão, que dedilhou nosso caminhar e nos explicou tudo.


Fizemos uma festa, nos reunimos jubilosamente para cantar os teus feitos sobre nós, e, como sempre, você providenciou tudo. Somos pobres, sempre o fomos, mas nunca nos faltou absolutamente nada! O cume da tua misericórdia se manifestava naqueles 5 anos de fundação. Para nós, era o conforto de saber que você mesmo queria e fazia lançar novas sementes.


Já se passavam 5 anos desde aquele primeiro dia. Há quem pense que era tudo uma brincadeira, mas existe aventura maior do que nos abandonarmos em teus braços? Um ano depois, vimos nossa baluarte ser canonizada. O ano era 2016. Ah, Senhor, aquela festa estará para sempre na nossa história. A certeza de que nascemos como um grão de trigo que cai para frutificar, foi aquele dia que confirmamos. Você nos assegurou que nascemos para morrer e deixar que você nos gere. Ousamos dizer que aquele dia foi o dia que o teu céu se tornou o nosso coração. Reunidos, escutamos você nos convidar a ser homens e mulheres segundo o teu coração. Radiantes, gritávamos: “Madre Teresa é santa!!!”, e escutamos o teu convite estendido a nós também. Nosso coração tocou o céu e, por isso, preparamos uma festa. Os pobres mereciam toda a festa, porque eles eram teu rosto sempre.


Seguíamos na tarefa da evangelização. Por vezes, difícil, entre algumas renúncias, mas se não fosse assim, não teríamos a certeza da Ressurreição. Aquela garagem já não estava mais como antes... casa lotada! Era o teu povo que ansiava por tua presença! Era você que nos fazia avançar ainda mais, nos confiava ainda mais, e nos disse que seríamos resposta para o mundo. Nunca poderíamos ter mudado o curso da história, porque, na verdade, não é somente uma linha do tempo, mas a perfeita linha que você traçou sobre nós, que explicou nossa vida e nos deu sentido no mundo.


Cada dia que se passava, escutávamos o teu coração. Ao ouvir a tua voz, Senhor, o nosso coração palpitava de alegria, júbilo e emoção. Você nos inspirava dons, mais eventos, novas formas de evangelizar. Àquela época, já estava muito mais nítido: o Senhor nos convidava a um caminho de compromisso pessoal e diário.


Mais um ano de comemorações. A Vigília Caritas cresceu absurdamente mais. Quase 5 mil pessoas naquele ginásio conheciam o seu amor e sua misericórdia. Como era lindo ver aquela multidão prostrada, Senhor. Você fez grandes coisas ali! Cansados, por vezes com medo, mas aventurados no descanso que a tua paz nos proporciona.


A nossa consciência era unânime. Assim como o profeta Isaías, claramente nós também guardávamos no coração tua mensagem: “O povo que formei para mim contará os meus feitos”. E a família só crescia...


8 anos de missão e você nos presenteou com uma nova casa. As chaves foi você mesmo que nos entregou, pedindo que ali fosse um lugar aberto para que as pessoas sentissem o teu coração aberto a nos recriar. De lá para cá, a nossa gratidão e o nosso louvor só crescem. Cada conquista é tua, Senhor!


Lágrimas já escorrem de tanta gratidão e do profundo louvor que sai dos nossos lábios. Já não eram mais apenas jovens, mas casais, famílias, adultos, adolescentes, crianças, idosos. Todo um povo. Um só povo, um só corpo, uma só linguagem: o louvor. Louvamos porque sabemos que o teu lugar é teu e nós somos apenas o teu povo eleito que se coloca a teu dispor. Diferentes rostos, dons, personalidades, origens, mas uma só certeza: fomos alcançados por tua graça, rendidos ao teu singular amor, encontrados por tua misericórdia. Você sempre nos quis seus amigos, e nós nem merecemos a honra...


Aqui aconteceu entre nós uma graça incalculável. Um dia, nos fez sair de nós mesmos para doar a vida, fazendo-nos entender o que é amor. Tempos depois, com tua misteriosa ação, nos deu um carisma. O amor excelso estava na Cruz: aquele é o Amor. Você nos chamou a viver a loucura da Cruz. Agora, sem medos, nosso caminho estava solidificado. Como diria o teu servo, Fulton Sheen: “O romântico ama o amor. O cristão ama a Cruz”. Foi ali, bem ali. Teu beijo de amor nos enlaçou. Tu, Crucificado Glorioso, tornou-se a sublime entrega das nossas almas, alegria das nossas vidas, nossa esperança, nossa segurança. O brado da Cruz começava a ser cravado no nosso coração.


Nos inspirou ainda mais... grupos de oração, mais eventos, mais retiros, mais lugares. A esta altura, já havíamos percorrido muitos bairros e localidades da cidade de Patos e o trabalho estava expandido. Como você sempre confiou, insistiu e quis nos salvar, nos mandou para outra cidade. Já não eram somente regiões próximas, mas outra cidade carregava o anúncio da tua paz. A nossa alegria é inimaginável por tão grandioso feito! Agora, não estávamos somente onde os pés conseguiam tocar, mas nos lugares onde almas nem te conheciam, para dizê-los que o teu amor basta.


Aquele centro de evangelização está pequeno, porque agora são sempre mais corações que sentem sede de ti. Já não há mais como voltar atrás, Senhor... estamos completamente rendidos. Somos tua Igreja! Você sempre nos formou, nos educou em sua vontade, nos amadureceu e todos os dias deu-nos o anseio pelo teu coração.


Agora, entre a ação evangelizadora e a vida interior, lutamos para corresponder ao teu chamado. Tudo ainda parece muito pouco... não há nada que façamos que se iguale à imensidão da tua bondade conosco.


O mesmo que acontecia há 10 anos se repete hoje. Hoje, dia em que você nos disse que o júbilo da data era, na verdade, a projeção para os tempos que virão. Você completará a obra iniciada. Aquela radicalidade do Evangelho do início, o desejo de devolver dignidade aos mais pobres, hoje é o nosso canal de salvação.


O ontem passou, o amanhã ainda vem, e nós ficamos com o hoje para te amar e derramar nosso sangue por ti e por tua Igreja, pelo teu povo. Completamos 10 anos. A tua obra está linda, Senhor! Agora é tempo de viver o que o Amor tem a nos ensinar. Você nos sustentou. Estava conosco. Nos gerou. Rasgou-se por nós. Hoje, nos rasgamos aqui, aos teus pés, renovando a nossa oferta de vida e o nosso compromisso pessoal.


Hoje é o dia que enxergamos os teus futuros como os nossos, pedindo que estejamos sempre encorajados a avançar nas águas mais profundas. 10 anos se cumprem. Se de tua vontade for, que cheguemos a outros 10, 20, 30, mas nunca sem termos a certeza de que tudo é seu.


O nosso clamor é um só: alargue os nossos caminhos para que avancemos na evangelização. Tu és a causa da nossa vida! Hoje e todos os dias, queremos deixar os nossos planos para sonhar os teus sonhos. Nunca, nunca, nunca nos cansaremos de dizer: Muito obrigada, Senhor! Hoje é o dia que, jubilosamente, cantamos: “Por ti eu quero me apaixonar e viver a maior aventura de amor”.


Você mudou o curso da história e nos transformou. Obrigada por cada conquista que é tua. Obrigada pela tua eleição. E agora, como o pobre de Assis, certos de que é o começo radiante da tua ação, nós também queremos dizer: “Comecemos, pois pouco ou nada fizemos”.


Caros irmãos, membros do Projeto Madre Teresa, esta carta não é minha, mas a nossa voz unida num só coro. Entoamos ao Senhor, na aurora do dia que se inicia, as entranhas do nosso louvor e da nossa gratidão. Ao Senhor, nossa vida e nosso sangue. Para sempre!


Por Tatiane Medeiros

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