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Santa Teresa de Calcutá: um doce sorriso ao Amor


Hoje é um dia tremendamente especial. Há 4 anos, tornou-se reconhecidamente santa aquela que acompanha a caminhada de tantos, e de forma particular, também a minha. Tronou-se santa e clareou ao mundo um caminho que para muitos era inacessível e impensável.


Pensar na grandiosidade de Teresa é lembrar, ao mesmo tempo, de sua pequenez. Era uma mulher baixa, segundo relatos. Tinha pouco mais de 1,60. Ao mesmo tempo, sua pequenez correspondia a algo muito mais interior e carregado de sentido: a pequenez interior, o fazer-se pobre entre os pobres. Talvez, aqui, muitos descubram o paradoxo do coração daquela mulher. Sua vida dedicada aos pobres, vivendo com eles e como eles, tornou-se, na verdade, uma grande resposta para aquilo que havia em seu interior.


No íntimo e no profundo, existia um enlace esponsal carregado de beleza. No coração de Madre Teresa estava a necessidade de doar-se, o sacrifício, a oblação, a oferta. Para muitos, a santa das caridades. Quantos nomes ela já levou, não? Mas faltam as palavras para ao menos tentar defini-la, isto porque a linguagem do seu amor supunha qualquer outra linguagem. E a necessidade de doar-se abraçava o caminho do discipulado a Cristo que se descobre quando compreendemos o sentido da vida.


Por esse mesmo motivo, contradisse o mundo. Ainda há, sim, quem não a compreenda. Aliás, não nos enganemos... são muitos. Muitos reducionismos, pouca compreensão, pouca dinâmica do amor. O mundo ainda não reconheceu o sinal que foi o coração de Madre Teresa para a humanidade.


Humana, personificada, intensa, pequena. Apaixonada. Nada vivia fora de si, consciente de que na totalidade do coração humano, Deus integra-se. Ao homem, cabe a resposta singular e decidida de torná-lo ou não a totalidade do coração. Tantos fragmentos nos permeiam, tantas quebras e rupturas em nosso interior, tantas inconstâncias... Em contrapartida, somos envolvidos pelo coração unificado de Cristo que nos faz descansar no concreto, na eterno.


Em todas as áreas do seu coração, tornou possível à humanidade, através do seu testemunho e santidade, que Deus age e transforma. Quando o Senhor a inspirou uma vida doada aos mais pobres, não devemos ignorar o fato de que Madre Teresa era consciente. Mesmo incerta sobre o futuro, não ousou; embora mergulhada em incertezas, não se desfez do desejo do Outro. Considerou a vontade do Pai com a sua vida, não com as suas forças próprias e suas teorias calculadas. Fez de sua disposição um sinal de amor, porque, afinal de contas, para um coração que a tudo se dispõe, não se explica outra coisa senão o amor encarnado.


A Encarnação de Cristo não havia sido um fato qualquer na vida de Teresa. Antes, a consciência era livre de que precisa deixá-Lo encarnar também em seu coração, diante de todas as circunstâncias.


No meio do mundo, em suas atividades apostólicas, não ousou um só segundo, mas apenas amou. Também não economizou nenhum segundo sequer de tempo, se ele não fosse destinado a amar e ao Amor.


Continuo pensando que o mundo ainda não conhece Madre Teresa tal como deveria conhecê-la. No seio da pequenez, mostrou-nos o rosto da mulher que muito amou dos nossos tempos. Em seus escritos, com simplicidade, objetividade, clareza e liberdade, torna possível ao que lê, contemplar a beleza e o valor daquele que vive com Cristo. Não tendo vivido uma experiência de Deus, torna-se o homem incompleto. E tamanha sede somente Deus é capaz de saciar.


Madre Teresa, então, descobrindo a beleza que habitava no íntimo do seu coração, decide fazer dos seus dias uma constante oferta a Deus, dando-O a todos os que se lhe aparecessem, fossem pobres, ricos, marginalizados... saciar a sede de Cristo, como ela dizia, era seu empenho diário. Não poderiam as almas morrerem sem terem feito a experiência de poder descobrir o que é a Vida.


O seu olhar interior, portanto, era um “beijo de amor” em Jesus. Olhava-O com profunda decisão e ardor, tornando-O uma necessidade vital, tal como realizar as tarefas indispensáveis à vida humana. Acontece que, de um outro modo, Cristo não é uma tarefa do coração humano, mas uma Verdade, uma Pessoa e um Coração rasgado ao coração do homem.


Muito mais que o que os atos externos conseguiam exprimir, os atos do coração já diziam muita coisa. Ela só oferecia ao outro o que tinha dentro de si: um profundo amor a Jesus.

Sorriu para Jesus, ainda que seu coração continuasse a sofrer e perder lutas. Sorriu, e não como quem lança um breve sorriso por civilização e gentileza, mas sorriu porque amou. E muito amou.


Feliz foi Teresa, que descobriu a Vida e consumiu-se por ela, sem titubear, hesitar ou reter nada. Feliz e providente 05 de setembro, que nos confirma e conforma na fé de Cristo, no coração do Crucificado, na experiência do Amor e na vocação à santidade. Madre Teresa é santa!


Sinto que teria muito mais a falar sobre Teresa. Mas o silêncio das potências cala as minhas palavras... a potência do Divino e o seu desejo pelo homem, desejando-o a todo custo como um homem santo. No seio desta festa litúrgica, volto meu coração e meu olhar à vida de alguém que amou sem medo de nada perder. No olhar fixo que vemos na imagem inicial, concluo imaginando como é poder dizer, espontânea e livremente, sobretudo concretamente, que se prefere o Paraíso. Que unanimidade dos santos, não? Que bendita singularidade do amor...


Por Tatiane Medeiros

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