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  • Projeto Madre Teresa

Para entender e mergulhar no dogma da virgindade de Nossa Senhora


Caro leitor, temos, a seguir, alguns títulos importantes e únicos que contribuem para o entendimento dos mistérios do coração da Virgem Maria:


1.VIRGEM PRUDENTÍSSIMA


A prudência é uma característica da vida cristã, que requer equilíbrio, cuidado necessário, julgamento sábio, bom senso, análise crítica da realidade, saber discernir entre o bem e o mal. Vigia nossos pensamentos para que sejam direcionados para Deus, orienta nossas intenções, regula afetos, sentimentos e vontades. Jesus recomenda que sejamos prudentes. E Maria, por excelência, foi prudente, soube proceder com sabedoria e equilíbrio, nada fazendo movida pela impulsividade ou inconstância, mas sempre guiada pelo abandono em Deus.


Nossa Senhora foi eloquente em seu silêncio. Diante dos mistérios que a cercavam, soube ser discreta e tudo meditar em seu coração com profundidade. Sua prudência transparece além do seu silêncio, na sua linguagem, quando os evangelistas registram somente 7 vezes suas palavras (2 com o anjo Gabriel, com Isabel e com Jesus, e uma vez com os serventes nas bodas de Caná); no seu agir, procurando cumprir fielmente ao projeto salvador. Maria teve prudência, porque sendo perturbada, calou; o que ouviu, entendeu; o que resolveu, fez. É admirável em sua decisão de responder seu sim ao anjo, em sua caridade de interceder nas bodas de Caná, em seu sacrifício de oferecer seu filho na Cruz.


2. VIRGEM VENERÁVEL


Segundo o Concílio Vaticano II, Maria tem um posto especial na comunhão dos santos, pois ela ocupa o lugar único, mais perto de Cristo e de nós. Por isso, podemos rezar para ela, contar com sua intercessão e proteção, e entregar-nos em suas mãos. A graça que ela nos dá não vem dela e ela nada segura para si. Tudo vem de Deus e para Deus volta. As narrativas do Evangelho registram referências positivas à pessoa de Nossa Senhora, desde a saudação do anjo, as palavras de Isabel, o Magnificat, reconhecendo-a como bendita entre todas as mulheres.


São Luis Maria de Montfort, ao escrever o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, assim se expressou: “se a devoção à Santíssima Virgem afastasse de Jesus Cristo, deveríamos repeli-la como uma ilusão do demônio, mas essa devoção é indispensável para encontrar perfeitamente Jesus, para amar ternamente e servir com fidelidade”. O Papa Pio IX recomendava: “que em todos os perigos, todas as angústias e necessidades, nas suas dúvidas e tormentos, todos se refugiem com inteira confiança a essa doce Mãe da misericórdia e graça”.


3. VIRGEM LOUVÁVEL


Virgem Louvável provem do latim praedicare, que significa anunciar, pregar, proclamar em alta voz, dizer publicamente. Maria é digna de louvor por sua participação ativa e decisiva na história da Salvação. No Novo Testamento ela é louvada não somente por gerar Jesus, mas pela sua fé, por praticar a Palavra (Lc 11,17-28). Ser mãe é consequência de sua fé e uma forma de realização da vontade divina. Na liturgia, a Virgem é colocada em profunda relação com o mistério de Cristo e da Igreja, que celebra primeiramente a obra de Deus no mistério pascal de Cristo, e nele encontra a Mãe associada intimamente ao seu filho.


4. VIRGEM PODEROSA


Deus é o único poderoso, pois seu poder é absoluto e pleno. O poder de Maria é relativo e dependente de Deus. Ela é reconhecida como poderosa e onipotente por sua intercessão e oração junto a Jesus. Ela é a mãe que suplica pelos seres humanos junto a Jesus. Não concede graças, tem que pedir também ao seu Filho por nossas necessidades. “Tão grande é a influência de uma mãe que nunca pode tornar-se súdita de seu filho, ainda que seja monarca e tenha domínio sobre todas as pessoas de seu reino. Jesus que é onipotente, tornou Maria toda poderosa, o filho é onipotente por natureza e a mãe o é por graça” (Santo Afonso Maria de Ligório). Maria é poderosa pela sua intercessão que sempre nos aproxima do Filho e nos encaminha à vontade do Pai.


5. VIRGEM CLEMENTE


O termo “clemens” indica aquele que tem disposição para perdoar, é bondoso, benigno, indulgente, compassivo, brando e suave. No Antigo Testamento Deus é chamado de bondoso e cheio de compaixão (Jr 31,34), e Jesus o chama assim também no Novo Testamento. Experimentando a bondade e o amor de Deus, a Virgem Maria é também clemente e misericordiosa, porque participa plenamente deste sentimento divino, porque tem pena não só dos que choram, sofrem e gemem sob o peso da vida, mas até daqueles que fazem o mal ao seu filho Jesus (Veremundo Toch, escritor mariano).


6. VIRGEM FIEL


A palavra “fiel” provém de fé, que significa adesão a Jesus e seu projeto. Pela fé se acredita nas verdades reveladas, se entrega a Deus a nossa vida, se confia Nele, e se procura fazer sua vontade. Na Bíblia encontramos vários exemplos de fé, como Abraão e sua esposa Sara. No Novo Testamento, Maria realizou de modo admirável a fé obediente e fiel. Foi a serva do Senhor, que cumpriu com fidelidade a vontade divina em sua peregrinação de fé. Deu uma resposta livre e consciente, aceitando a proposta de Deus e colocando-se a seu inteiro dispor.


Santo Irineu enalteceu a fé extraordinária dessa mulher: “Maria, virgem, provou-se obediente ao dizer seu sim. Eva foi desobediente; ela desobedeceu então quando ainda era virgem; o nó formado pela desobediência de Eva não poderia ser desatado senão pela obediência de Maria”.

Por Diácono Gildenor da Silva Oliveira, Diocese de Patos-PB.


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