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O Papa reza pelos sem-teto, sofredores escondidos neste tempo de dor

Vatican News


A Antífona de entrada da celebração da quinta-feira (02/04) da V Semana da Quaresma, que o Papa leu no início da Missa  matutina na Capela da Casa Santa Marta é um convite a manter os olhos fixos em Jesus, esperança que não decepciona: “Cristo é o mediador de uma nova aliança, para que, por meio de sua morte, recebam os eleitos a herança eterna que lhes foi prometida” (Hb 9,15). Ao introduzir a celebração, Francisco rezou, em particular, pelos sem-teto:


Estes dias de dor e de tristeza evidenciam muitos problemas escondidos. No jornal, hoje, há uma foto que toca o coração: muitos sem-teto de uma cidade deitados num estacionamento, sob observação... há muitos sem-teto hoje. Peçamos a Santa Teresa de Calcutá que desperte em nós o sentido da proximidade a muitas pessoas que na sociedade, na vida normal, vivem escondidas, mas, como os sem-teto, no momento da crise, se evidenciam desse modo.


Na homilia, Francisco comentou as leituras do dia, extraídas do Livro do Gênesis (Gn 17,3-9) e Evangelho de João (Jo 8,51-59), que têm em seu centro a figura de Abraão, a aliança com Deus e o novo anúncio de Jesus que vem “refazer” a criação perdoando nossos pecados. Nós somos cristãos – disse – porque fomos eleitos, escolhidos, e recebemos uma promessa de fecundidade, à qual devemos responder com a fidelidade à aliança. Nossos pecados são contra essas três dimensões: não acolher a eleição adorando os ídolos, não esperar na promessa e esquecer a aliança. O caminho do cristão – concluiu – é ser consciente da eleição, da alegria de caminhar rumo a uma promessa e da fidelidade no cumprimento da aliança.


O Senhor sempre se recordou da sua aliança. Nós o repetimos no Salmo Responsorial. O Senhor não se esquece, jamais esquece. Sim, esquece somente num caso, quando perdoa os pecados. Após ter perdoado perde a memória, não recorda os pecados. Nos outros casos, Deus não esquece. A sua fidelidade é memória. A sua fidelidade com o seu povo. A sua fidelidade com Abraão é memória das promessas que tinha feito. Deus elegeu Abraão para fazer um caminho. Abraão é um eleito, era um eleito. Deus o elegeu. Depois, naquela eleição prometeu-lhe uma herança e hoje, na passagem do livro do Gênesis, há uma passagem a mais. Quanto a ti, a minha aliança é contigo. A aliança. Uma aliança que lhe faz enxergar longe a sua fecundidade: tu serás pai de uma multidão de nações. A eleição, a promessa e a aliança são as três dimensões da vida de fé, e as três dimensões da vida cristã. Cada um de nós é um eleito, ninguém escolhe ser cristão em meio a todas a todas as possibilidades que o “mercado” religioso lhe oferece, é um eleito. Nós somos cristãos porque fomos eleitos. Nesta eleição há uma promessa, há uma promessa de esperança, o sinal é a fecundidade: “Abraão, serás pai de uma multidão de nações e... serás fecundo na fé. A tua fé florescerá em obras, em boas obras, inclusive em obras de fecundidade, uma fé fecunda. Mas deves – o terceiro passo – observar a aliança comigo. E a aliança é fidelidade, ser fiel. Fomos eleitos, o Senhor nos fez uma promessa, agora nos pede uma aliança. Uma aliança de fidelidade. Jesus diz que Abraão exultou de alegria pensando, vendo o Seu dia, o dia da grande fecundidade, aquele seu filho – Jesus era filho de Abraão – que veio refazer a criação, que é mais difícil que fazê-la, diz a liturgia – veio fazer a redenção dos nossos pecados, veio libertar-nos. O cristão é cristão não porque pode mostrar a fé do batismo: a fé de batismo é um papel. Você é cristão se diz sim à eleição que Deus lhe fez, se vai atrás das promessas que o Senhor lhe fez e se você vive uma aliança com o Senhor: essa é a vida cristã. Os pecados são sempre contra estas três dimensões: não aceitar a eleição e nós “elegere” (eleger) tantos ídolos, tantas coisas que não são de Deus. Não aceitar a esperança na promessa, ir, olhar as promessas de longe, inclusive muitas vezes, como diz a Leitura aos Hebreus, saudando-as de longe e fazer que as promessas sejam hoje com os pequenos ídolos que fazemos, e esquecer a aliança, viver sem aliança, como se fôssemos sem aliança. A fecundidade é a alegria, aquela alegria de Abraão que vê o dia de Jesus e se enche de alegria. Essa é a  revelação que hoje a Palavra de Deus nos dá sobre nossa existência cristã. Que seja como aquela do nosso pai: consciente de ser eleito, alegre por caminhar rumo a uma promessa e fiel no cumprimento da aliança.


O Santo Padre terminou a celebração com a adoração e a bênção eucarística, convidando a fazer a Comunhão espiritual. A seguir, a oração recitada pelo Papa:


Meu Jesus, eu creio que estais presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós!


Antes de deixar a Capela dedicada ao Espírito Santo foi entoada uma antiga antífona mariana Ave Regina Caelorum (“Ave Rainha dos Céus”):

Ave, Rainha do céu; ave, dos anjos Senhora; ave, raiz, ave, porta; da luz do mundo és aurora. Exulta, ó Virgem gloriosa, as outras seguem-te após; nós te saudamos: adeus! E pede a Cristo por nós!


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