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A primazia da misericórdia de Deus na natureza humana


“Não está aqui. Ressuscitou”. A passagem narrada em Lc 24, 6 não soa uma profunda linguagem de amor de Deus direcionada à toda a Criação? A cruz gloriosa de Cristo torna real e concreto o grande amor de Deus por nós e tudo o que um Deus foi capaz de fazer para tornar claro aos homens o seu incessante desejo de se relacionar com o ele.


Sim, para entendermos a grande manifestação do amor de Deus, devemos fazer memória da força que a palavra amor carrega e como surte um efeito especial na compreensão do agir de Deus na história do seu povo. Outro dia, partilhando com algumas pessoas, comentávamos algumas reflexões sobre todo o plano de salvação e como ele explica a história da humanidade, tornando possível até enxergar melhor a ação de Deus mesmo em meio aos tempos difíceis, especificamente o que vivemos em cenário mundial hoje.


Providencialmente, celebraremos amanhã, primeiro domingo após a Páscoa, a Festa da Misericórdia. É uma entre as manifestações devocionais pedidas por Jesus a Santa Faustina e carrega uma compreensão teológica repleta de muita beleza: a unidade entre o mistério pascal da redenção e o mistério da misericórdia divina. Que grande manifestação do amor e da misericórdia de Deus tal unidade!


Tocarmos na dimensão da misericórdia de Deus reflete muito na verbalização de tal amor: nos sentimos afagados e acolhidos, mergulhados no mistério sem fim da gratuidade e infinitude do amor divino sobre nós, mesmo diante nas nossas infidelidades, concupiscências e misérias marcadas pelo pecado. É possível crer e viver segundo a fé a certeza de que a palavra da morte (em todos os seus sentidos e relações) não é o primeiro plano e nem tampouco a última palavra quando enxergamos a vida humana mais do Alto do que segundo as relações de baixo, mundanas.


São inúmeras experiências que eu e você vivemos no decorrer da nossa vida, diariamente. Me parece a expressividade nata e constante de “eu miserável em Ti, Tu misericórdia em mim”. É sempre o encontro da alma que está condicionada ao pecado mas que é impulsionada por algo muito maior. É sempre o encontro tão permeado de Ressurreição que as palavras parecem poucas demais diante de tamanha grandiosidade...


Quem nunca viveu profundas experiências com a misericórdia de Deus? Quem nunca se sentiu atraído pelo grito de misericórdia do Senhor em direção a nós? É tão audível e tão real, tão vivo e constante, e ao mesmo tempo passa pela liberdade humana. Viver a misericórdia ou ouvir falar já nos toca tanto o coração, mas acolhermos e nos respondermos nossa vida diante de tão grande mistério são também profundas experiências de encontro dos abismos que se abraçam.


A todos nós, a mensagem propagada na Festa é sempre viva e próxima. Papa Francisco, em uma de suas homilias ainda este ano nos diz: “Esta bem-aventurança é a única em que a causa e a consequência da felicidade coincidem”. É o sangue e a água que jorram do lado aberto do Ressuscitado que tornam clara a compreensão de que não é tão somente a atualização do mistério que ocorreu há mais de 2 mil anos, mas a atualização fiel e real do amor de Deus que nos convida a estarmos mais unidos a Ele.


Caro leitor, um dia nós fizemos a mesma experiência de Tomé: tomamos o choque do encontro com a Ressurreição. Dizemos às claras a nós mesmos e na tarefa evangelizadora que “meu Senhor e meu Deus” é a surpresa a qual o amor nos conduz e que ressignifica a nossa vida? Temos consciência que o amor rico de Deus não é distante, mas é real?


Lembremos que é preciso tomar consciência de que Deus não é a figura tradicionalista retratada por nossos antecedentes de um juiz inquisitor, não. A Misericórdia nos alcançou e, com muita certeza, quer admitamos ou não, mudou completamente tudo, explicou a existência da humanidade.

Por Tatiane Medeiros

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