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A Esperança nos conduzirá à vitória

João Victor Fernandes Nogueira - Fundador do PMTC


O tempo que estamos vivendo exige de nós serenidade. As paixões afloradas nos distanciam do espírito que estes dias nos pedem. As discussões polarizadas tornaram-se mais visíveis: com mais tempo ocioso, as pessoas despejam-se na internet. Em alguma medida, Humberto Eco tinha razão, a internet deu voz à tolice. As implicações deste fenômeno são diversas, entre elas, a dissolução da ideia de autoridade. Isto é, todas as pessoas podem opinar sobre o que querem. Seus pareceres são sempre de ampla expertise.


Em tempos de coronavírus, polos extremistas se digladiam. Outros aproveitam o espaço para o início das campanhas políticas. Não titubeiam em atacar à honra ou imagem de quem quer que seja. Aliás, parece que o que importa, na verdade, é tão somente o prazer de estar em meu sofá expandindo-me. Deprimente. Deplorável.


Os católicos devem estar atentos: desde domingo, 05/04, iniciou-se aquela que os antigos chamavam de semana maior. A mais importante de todas. Dois evangelhos foram proclamados: alegria e dor se misturam. Jesus ovacionado na entrada em Jerusalém; Jesus açoitado e morto pelos homens.


O Papa Francisco lembrou, na benção urbi et orbi, da ilusão moderna: “pensar que poderíamos ficar saudáveis em um mundo doente”. Caros amigos, nas palavras de Saint Exupéry (no Pequeno Príncipe), “quando a gente anda sempre para frente, não pode mesmo ir longe”. Nunca me apeteceu a frase comuns aos realitys, não me arrependo de nada que fiz. Pensamento na contramão do Evangelho. É preciso voltar.


Instintivamente relembro Dom Adélio Tomasim, “para dar um grande salto para a frente, é preciso dar pequenos passos para trás”. Reconsidera tua vida, homem. Identifica tuas peripécias. Enxerga tuas lacunas. Observa teus excessos. Não tenha medo de reverter o reversível. Isto te tornará mais forte e vigoroso. Pois, não poucas vezes, retornar as tuas raízes é regredir à tua essência.


Machado de Assis, brilhantemente, afirmava que recuar nem sempre é fugir. Quanto medo temos em nos olharmos! O movimento exigido é mirarmos nosso interior. A quarentena relembra os monges da idade média: isolavam-se da agitação da pólis para encontrar Deus. Parece-me que a atitude era necessária mais ainda hodiernamente, já que “em numerosas partes do mundo existe hoje um estranho esquecimento de Deus. Parece que tudo anda igualmente sem ele. Mas ao mesmo tempo existe também um sentimento de frustração, de insatisfação de tudo e de todos. Dá vontade de exclamar: não é possível que a vida seja assim! Verdadeiramente não”. (Papa Bento XVI)


Tenhamos esperança! Não usemos o termo desespero – que quer dizer, sem esperança. Se a perdemos, estamos longe de Cristo. Em meio ao bombardeio de notícias pesadas e amedrontadoras, o Papa Francisco, como o doce Cristo na Terra, admoestou-nos hoje: “preparem-se para tempos melhores!”. Os cristãos devem ser sempre, no mundo, uma presença confiante e alegre, certos de que para nós, viver é Cristo; morrer é lucro (Fil 1, 21). Não há porquê temer! Ele está Vivo e Ressuscitado! A Esperança (que é uma pessoa) nos conduzirá à vitória!


Estejamos seguros. O Senhor é nossa segurança, nosso consolo e nossa certeza. Defendamos à vida e sejamos propagadores de uma existência digna para os filhos de Deus. Todas as obras realizadas com este fim, são louváveis e merecem nosso reconhecimento e adesão.

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